quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

17 de dezembro (2009)


Hoje não farei Lagosta flambada ao molho de alcaparra.
Hoje não escreverei um livro.
Hoje não falarei em Inglês.


O máximo que farei hoje é um brinde e mais nada.

Hoje não sentarei no bolo!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Manifesto ao carpe diem.


A felicidade é relativa...


Ame e seja amado...!

Odeie quem te ama, não corresponda...!

Ame quem te odeia, não seja correspondido...!


A felicidade é relativa...

... Mas como é bom amar e ser amado!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fragmento de Vida nº 2


São Paulo, 08 de dezembro de 2009, dia de Iemanjá. Chove. Chove, há um dia. Do céu vem agonia, tristeza, insegurança... Insônia. Não. Até chegar a hora. Caiu. Do lado esquerdo. Foi do direito. Não importa. Podia ter sido dos dois lados. Podia. Morreram quatro. Irmãos. Crianças. Foi lixo no rio. Foi rio na rua. Foi rua.
Enquanto isso, uma mulher saiu das águas e deu a luz no céu. Anjos deram ao Sol uma Vitória .

sábado, 21 de novembro de 2009

Letícia


Na primeira vez em que vi Letícia a poesia me abandonou para dar lugar ao silêncio. As imagens transformaram- se em uma só cor, uma espécie de rabisco luminoso.
- És vermelha como o amor divino.

As mãos tornaram- se amantes, num momento que se converteu em sonho sublime e os lábios se cumprimentaram sendo cúmplices de uma mágica perfeita.

Nada na vida é permanente. As águas de um rio sempre se modificam, mas Letícia continuará sublime.

domingo, 1 de novembro de 2009

A Construção de Pensamentos


Pra onde a Lua vai quando amanhece...? Onde é que o Sol se esconde quando anoitece...? Pra onde a gente vai quando esquece...? Por que não fala nada que acontece...? Se alguém soubesse mais do que merece...? E se acreditasse no que houvesse...?


Pra onde a Lua vai quando anoitece...? Onde é que o Sol se esconde quando amanhece...? Pra onde a gente vai quando acontece...? Por que não fala nada quando esquece...? Se alguém soubesse mais, caso houvesse...? E se acreditasse no que merece...?


Pra onde a Lua vai quando esquece...? Onde é que o Sol se esconde quando acontece...? Pra onde a gente vai, caso houvesse...? Por que não fala nada que merece...? Se alguém soubesse mais quando amanhece...? E se acreditasse quando anoitece...?


Onde é que o Sol se esconde do que esquece...? Pra onde a Lua vai quando acontece...? Pra onde a gente vai quando merece? Se alguém soubesse mais do que anoitece...? Por que não fala nada, caso houvesse?... E se acreditasse quando amanhece...?


Pra onde é que a gente vai quando amanhece...? Onde é que o Sol se esconde, caso houvesse...? Pra onde a Lua vai quando merece...? Por que não falam nada quando anoitece...? Se acreditassem no que acontece...? E se Alguém soubesse mais quando esquece...?


Pra onde a gente vai quando anoitece...? Quando é que o Sol se esconde do que merece...? Por que não fala nada quando amanhece...? Pra onde a Lua vai, caso houvesse...? Se acreditasse no que esquece...? E se alguém soubesse mais do que acontece...?


Pra onde a Lua vai quando amanhece...? Pra onde a Lua vai, caso houvesse...? Pra onde a Lua vai quando acontece...? Pra onde a Lua vai quando merece...? Pra onde a Lua vai quando anoitece...? Pra onde a Lua vai quando esquece...?


Onde é que o Sol se esconde quando anoitece...? Onde é que o Sol se esconde quando acontece...? Onde é que o Sol se esconde, caso houvesse...? Onde é que o Sol se esconde quando amanhece...? Onde é que o Sol se esconde do que esquece...? Quando é que o Sol se esconde do que merece...?


Pra onde a gente vai quando esquece...? Pra onde a gente vai, caso houvesse...? Pra onde é que a gente vai quando amanhece...? Pra onde a gente vai quando acontece...? Pra onde a gente vai quando anoitece...? Pra onde a gente vai quando merece...?


Por que não fala nada que acontece...? Por que não fala nada quando esquece...? Por que não fala nada, caso houvesse...? Por que não fala nada quando amanhece...? Por que não fala nada que merece...? Por que não falam nada quando anoitece...?

Se alguém soubesse mais do que merece...? Se alguém soubesse mais do que anoitece...? Se alguém soubesse mais quando amanhece...? Se alguém soubesse mais, caso houvesse...? Se alguém soubesse mais do que acontece...? E se alguém soubesse mais quando esquece...?


E se acreditasse no que houvesse...? E se acreditassem no que acontece...? E se acreditasse quando amanhece...? E se acreditasse no que merece...? E se acreditasse quando anoitece...? E se acreditasse no que esquece...?

domingo, 27 de setembro de 2009

Efígie


Não tenho nome nem direção. Sigo meus pés, meu coração.
Aonde vou, não sei nem quando, passo tão calmo que nem percebo.
A cada ponto me apaixono; a minha vida é quase um canto.
Até flutuo em pensamentos; conheço mil lugares em um momento.
Na verdade não sou um só; sou Divino, sou Grotesco, sou Insano...
sou um Poeta.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O que é felicidade?


Outro dia eu tava na faculdade. Tava lá, fingindo que assistia aula... Na verdade eu tava lendo Voltaire, um conto sobre um brâmane. Lembrei disso porque vi um mendigo com a barba grande, pintando as unhas dos pés de vermelho, rindo e fumando um cigarrinho. Quem passava achava ridículo. Ué? Por que o mendigo ta rindo? Meu caríssimo, tu não tens sequer um barbeador, por que cargas d'água ficas rindo? Além do mais, fumando um...
Bem, no conto de Voltaire, a razão é vista como provável causa da infelicidade, uma vez que existia uma mendiga que se satisfazia somente com a água do Rio, enquanto um sábio não conseguia inquietar a alma, graças aos contestamentos da vida.

domingo, 6 de setembro de 2009

Ilusão

No íntimo de teu ser, existe uma rosa que carrega consigo o dom de tornar cálida minh'alma frígida.Não posso tomá-la, sequer tocá-la, pois flor tão rara assim é uma dádiva ao deserto.Porém, de qualquer maneira, consigo senti-la.Não poderei viver, sabendo que a cultivas nobremente, mas a outro entregaste o puro néctar.O que posso fazer é imaginá-la e compará-la às demais, as quais não merecem tamanha atenção. Isto, se faço, é tentando me convencer de que flor tão bela cresce, também, em outros solos.
Prefiro acreditar em minhas mentiras...
Preciso acreditar em minhas mentiras...Acredite!

sábado, 29 de agosto de 2009

Fragmento de Vida nº 1


Acordei bem cedo hoje. Lembrei de um dia da minha infância... Certa manhã, saí da cama tão cedo quanto hoje, espreguicei- me e soltei um longo e gostoso sorriso ao abrir a janela de meu quarto: estava chovendo! Esse não era um motivo para voltar à cama, muito menos uma desculpa para "perder" o dia com vídeo-game; dalí a poucos minutos, ainda de jejum, eu estaria correndo na rua, trajando somente uma cueca e, por incrível que pareça, um gesso na perna. Deus, não lembro qual era a perna machucada, só pensava em aproveitar a chuva, não lembrava nem do frio e nem da roupa.

Estando na rua, senti- me um rei: aquela chuva era minha. Deus a mandou para minha diversão e eu desfrutava-a com toda liberdade. Nunca tomei banho de cachoeira. E daí? Eu tinha a minha própria bica! Quem se importava que ela tinha nascente no telhado da vizinha? Ela terminava na minha própria rua, para meu inteiro deleite.

Eu tinha uns cinco anos. Lembrei disto porque hoje, quando acordei, estava chovendo. Mas eu não queria ficar acordado, preferia passar o resto dos tempos deitado e que só me acordassem quando eu estivesse morto, de preferência com o café-da-manhã. Droga! Nem Deus respeita mais um coração ensanguentado? Pra piorar as coisas, a sensação térmica de zero absoluto não me deixou cogitar a hipótese de abrir a geladeira para preparar uma refeição que incluísse leite. Afinal, por que alguém guardaria alguma coisa na geladeira, se estávamos praticamente no Pólo Sul? Não... Tudo errado! Piorou quando me chamaram, gritando, para tirar a maldita roupa do varal -- quem coloca roupa no varal em dia de chuva? -- Acabei eu: molhado, no quintal de minha casa, olhando para as gotas caindo e pensando na relatividade das coisas. Esbocei um riso meio de lado, de ironia, confesso, mas em seguida eu ria de mim, da minha situação... Era engraçada. Eu ria sozinho no quintal de minha casa, debaixo da chuva, sob o olhar desconfiado da minha vira-lata -- protegida da água -- que tentava me fazer inveja. Por pouco não conseguiu -- ela está grávida. Mas, por um momento, voltei a ser criança. Esquecí a dor que carregava no peito. Achei que Deus tinha mandado aquela chuva para mim, uma forma de bênção, lavando a alma. Outra chance de ser feliz. Todo dia é um novo começo -- ouví na televisão. Ah!, a roupa? Esquecí dela também.